Enfermagem: a jornada de quem cuida do Brasil
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Enfermagem: a jornada de quem cuida do BrasilEnfermeiro Adriano Araújo, que foi voluntário em Manaus durante a pandemia de covid-19, conta sobre as agruras desses trabalhadores e exalta sua força para garantir cuidado a todos. Atual luta da categoria é por expediente de 30 horas semanais Em 2022, o PL 2564/2020 se tornou a lei 14.434/2022, assegurando um salário mínimo de R$ 4.750,00 para enfermeiros, R$ 3.325,00 para técnicos e R$ 2.375,00 para auxiliares. Em um contexto geral de precarização dos vínculos de emprego e de terceirização, a aprovação do piso nacional da enfermagem representou uma conquista histórica para uma categoria que há décadas luta por reconhecimento e melhores condições. Contudo, as 44 horas semanais atreladas a este valor e a ausência de perspectivas de reajuste salarial nos próximos anos demonstram que a luta dessa importante categoria ainda não acabou. Para compreender mais a fundo os impactos da precarização no cotidiano desses trabalhadores, o Outra Saúde convidou para o mais recente episódio de seu programa no Farol Brasil Adriano Araújo, técnico de enfermagem, enfermeiro forense e conselheiro do Coren-DF. Apaixonado pela profissão na qual atua há 25 anos, ele traz um vívido relato de quem participa diariamente da luta contra a precarização de sua categoria, e se coloca na linha de frente para salvar vidas nos momentos mais sombrios para a saúde brasileira recente. Adriano explica como se deu a força da mobilização que tornou possível a aprovação do piso. Segundo o enfermeiro, o processo passou pela ocupação das ruas, articulou-se por meio de entidades representativas e utilizou as redes sociais para pressionar o Congresso e ampliar o apoio da sociedade. Contudo, ele ressalta como a pandemia sensibilizou a população sobre o papel dos trabalhadores da saúde. A pandemia foi um momento decisivo para tornar visível a centralidade da enfermagem, enquanto aprofundou a exposição da categoria à precarização e aos riscos do trabalho. Ele conta como receber apoio e gratidão foi essencial: “A gente chegava em casa e via o pessoal batendo palma nas janelas dos apartamentos. Eu acho que foi um combustível muito grande para que a sociedade enxergasse o trabalho da enfermagem”. Adriano esteve entre os profissionais que se voluntariaram para atuar em Manaus, em um dos momentos mais críticos da crise sanitária, quando ainda não havia vacina e as equipes locais estavam exaustas. “A ciência é o nosso eixo. A gente acreditou sim na ciência, acreditou nas barreiras de proteção. Foi muito treinamento para atender aqueles pacientes, sem ser contaminado também”, relata. Emocionado, ele conta sobre a ocasião em que enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua vida enquanto estava na linha de frente de uma crise global. Seu pai faleceu por covid-19 no dia em que Adriano embarcava para Manaus. Ele relata que decidiu seguir sua viagem, como uma homenagem ao pai. “Eu fui e dediquei todo o meu cuidado para que outras famílias não sofressem como a minha.” A atuação em situações de emergência não terminou ali: em 2024, Adriano também participou do atendimento às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, reafirmando a presença da enfermagem nos momentos de maior vulnerabilidade da população. Essas experiências expõem as contradições de um trabalho considerado essencial, mas realizado em condições precárias. Ele relata a redução das equipes e os efeitos da sobrecarga sobre a qualidade do atendimento. “A gente deixa de dar um atendimento de qualidade porque é humanamente impossível, porém a gente vai dar o atendimento, a gente consegue atender esse paciente, ele não fica desassistido, mas já não consegue ser com aquela mesma qualidade”. As consequências se dão até mesmo como violência contra os trabalhadores, muitas vezes decorrente da espera e da insuficiência de profissionais para atender à demanda. Nesse sentido, entre os próximos passos apontados por Adriano está a aprovação da PEC 19/2024, que busca garantir o reajuste do piso da enfermagem e impedir que a inflação corroa o valor conquistado em 2022. A outra frente fundamental é a redução da jornada: embora a categoria defenda historicamente as 30 horas semanais, a negociação atualmente em discussão prevê a vinculação do piso a uma jornada de 36 horas. Ele finaliza apontando a relevância da categoria, que conta com mais de 3,2 milhões de profissionais nacionalmente: “A enfermagem está em todos os locais. Na cidade mais remota que você imagina, lá vai ter uma igreja e vai ter um postinho de saúde. A enfermagem vai estar presente”. | A A |
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